Direito à Cidade nos 130 anos pós-abolição: vivências negras no espaço urbano

capa obra ibdu

Apresentação

O projeto editorial “Direito à Cidade: Novos Olhares”, nasceu em meados de março de 2017, motivado por uma necessidade de conectar lutas e trajetórias a partir das vozes de pessoas engajadas contra as opressões. Seus primeiros frutos foram voltados à discussão de gênero e cidade, tendo apresentado grande receptividade. Quase dez meses depois, percebemos que o projeto ganhou proporções, parceiros e colaboradores da mesma grandeza da necessidade de discutir a pauta de opressões relacionada ao debate da vida na urbe. Ou seja, gigante.

Foram aproximadamente 50 autoras e autores que se mobilizaram entre os quatro volumes publicados, expressando uma enorme diversidade de temas e lutas. O olhar desses grandes ativistas por cidades mais justas nos guiou adiante no compromisso ético com a construção de políticas públicas interseccionais, que devem ter como responsabilidade e razão de existir a construção de condições reais para que a população negra, as mulheres, as LGBT+, os povos indígenas, quilombolas e toda a população oprimida possam exercer a sua humanidade livremente.

Para compreender melhor as consequências da radicalização do mal, utilizada pela branquitude contra os povos negros no ambiente urbano brasileiro, ousamos reunir neste quarto livro vozes que ecoam duras verdades com muita sabedoria. São reais porta-vozes da resistência de um Brasil que, 130 anos após a abolição, não nos permitiu que o título deste volume fosse outro. Lembrar as vergonhosas estruturas que pavimentaram a produção do espaço urbano ainda não nos permite pensar nas formas de efetivação do direito à cidade, mas no impacto da sua violação em nossas vidas.

O caminho da luta pela vida e pelo bem viver não é só um caminho sem volta, como também é o caminho possível.

Pelos nossos ancestrais e pelos que estão por vir.

Boa Leitura!

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Resultado Final da Seleção para Coordenação Executiva e Financeira para 2018

COMUNICADO 

O Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico – IBDU comunica o resultado final da seleção para as funções de Coordenação Executiva e Coordenação Financeira da instituição para o ano de 2018.

Coordenação Executiva – Rodrigo Faria Gonçalves Iacovini

Coordenação Financeira – Manoel Victor Gomes Figueiredo

São Paulo, 11 de dezembro de 2017

Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico – IBDU

 

Direito à Cidade: vivências e olhares de identidade de gênero e diversidade afetiva e sexual

APRESENTAÇÃO

Atualmente, de acordo com as estimativas do IBGE, mais de 85% da população bra- sileira está concentrada nas cidades. O intenso processo de urbanização do país é forte- mente marcado pela desigualdade, concentração de bens e riquezas e exclusão sócio-ter- ritorial. Assim, em contraponto ao crescimento exponencial das cidades brasileiras, está a dificuldade que elas apresentam em oferecer uma vida digna para todos e todas, no que tange a moradia, mobilidade, saneamento ambiental, lazer, equipamentos e serviços públicos em geral.

A agenda de demandas que reivindicam os direitos humanos voltados para o âmbito urbano, nos últimos anos, confluíram em lutas sociais que reivindicaram cidades mais justas, democráticas e sustentáveis. A organização popular, especialmente canalizada nos movimentos de moradia, em algumas organizações da sociedade civil e em setores acadêmicos progressistas, levou a conquistas importantes nos âmbitos da legislação e das políticas públicas desde a redemocratização. No entanto, o ideário da reforma urba- na apresentou limites no que tange ao reconhecimento e valorização de pautas identitá- rias na cidade.

O pleno exercício do Direito à Cidade transcende o juspositivismo e se concretiza principalmente na ressignificação dos espaços, no uso e comportamento insurgente nas cidades. Atualmente, o debate sobre o Direito à Cidade é indissociável da pauta de opres- sões. Considerar que os sujeitos experienciam a vida urbana de modos muito diversos é um primeiro passo para a articulação de como lutar contra as violações sistemáticas pro- vocadas pela mercantilização das cidades mas também pelo patriarcado, pelo racismo, pelo preconceito de classe e pela homolesbotransfobia.

A linha editorial “Direito à Cidade: Novos Olhares”, lançada pelo Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico – IBDU em Abril de 2017, propõe debater o tema pelo enfoque dos grupos identitários. Com a boa receptividade dos dois volumes iniciais, voltados à discussão do Direito à Cidade a partir de olhares de gênero, tivemos confirmada a per- cepção de que esse debate é urgente e necessário. Por isso, lançamos o terceiro volume da linha editorial, intitulado “Direito à Cidade: vivências e olhares de identidade de gênero e diversidade afetiva & sexual”.

Como nos volumes anteriores, não há qualquer pretensão de esgotar o debate, mas de provocá-lo. Compreendemos que o processo político de luta pelo Direito à Cidade demanda uma construção coletiva e que é fundamental ouvir a voz dos sujeitos e sujeitas oprimidos. Portanto, o principal objetivo da publicação é servir de megafone para que essas vozes sejam ouvidas pelo maior número de pessoas.

Agradecemos imensamente às 14 autoras e autores que toparam dialogar conosco sobre as cidades em que vivemos e as cidades que queremos para os homens gays, mu- lheres lésbicas, bisexuais, pessoas trans e travestis. Antes de tudo, desejamos cidades que não nos matem, pois simplesmente viver ainda é um desafio no país com os maiores índices de mortes e violência contra essa população.

Dedicamos essa publicação, colorida do começo ao fim, às milhares de Dandaras, Luanas Barbosa e Itaberlis, assassinados cotidianamente no Brasil. Essa publicação é também vermelha, manchada pelo sangue dos nossos mortos. Mas, sobretudo, tem todas as cores do arco-íris, pois afirma o direito de existir e ocupar as cidades com respeito à diversidade como único caminho possível. Não há cura para o amor.

Boa leitura!

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